terça-feira, 16 de maio de 2017

Juros Futuros - em queda aguardando a reunião da turma do Ilan

Buenas Galera! Faz algum tempo que não falo mais sobre os juros futuros, mas estamos numa época de expectativa da nova taxa de juros básicos definido pelo COPOM e o tema está na pauta - o último post foi este.

Inflação abaixo das expectativas, recessão e queda no risco país pavimentam a estrada ladeira abaixo para os juros futuros que, ao meu ver, devem continuar seu movimento de baixa - bolsa e títulos pré-fixados agradecem!

Gosto de rever o que escrevi no passado e comparar com a atualidade. Na época escrevi que esperava que o DI1F19 perdendo o suporte de 9,80 (linha verde) caminharia rumo aos 8,70 (linha rosa) com um possível suporte na região de 9,20 (linha amarela). Esse suporte de 9,20 se concretizou levemente acima (por volta de 9,30), o que considero bem aceitável. Agora espero que o DI1F19 permaneça na região de 8,70 pelo menos até a próxima reunião do COPOM. A partir daí não existem mais suportes gráficos, mas não acredito em uma queda muito acentuada, uma vez que hoje o mercado projeta uma Selic na faixa de 8,20 (média) para o final de 2018.

Bom, mas para quem está posicionado em TD-IPCA ou TD-Pré o mais importante não é o DI1F19 e sim o DI1F25. Isso porque 2019 está logo aí e os movimentos não refletem mudanças significativas nos preços desses títulos. Por outro lado, o DI1F25 já trás uma curva mais longa e impactos maiores nos valores dos títulos - no meu caso, o TD-IPCA35. Esse gráfico é mais influenciado pela instabilidade política e econômica, trazendo mais volatilidade à curva. Isso explica o repique no final de abril, por exemplo.

O andamento das reformas e o julgamento da chapa Dilma-Temer devem trazer volatilidade. A aprovação das reformas e a manutenção do presidente devem confirmar o rompimento do suporte atual (10,05 - linha pontilhada branca). Como escrevi no post anterior, esse DI não tem mais suportes e deve criar seus novos pontos de suportes e resistências, mas acredito em um suporte na faixa de 9,45 (linha pontilhada laranja)... vamos ver!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Imóveis entram na carteira?

Buenas galera! 

Com dívida, eu me sinto preso!!!
Nesse mês a previsão é de uma baixa nas comissões recebidas na ordem de 20%, então vou raspar o que tiver para cobrir a prestação da terra. O lado bom é que terei pago 67% da cota. Essa descapitalização, obviamente tem um impacto na minha carteira, como postei em março, minha carteira encolheu. Mas e meu patrimônio? Imóveis entram ou não na carteira? O que eu penso sobre isso?


Imóveis entram na carteira?

Sim, na minha opinião, imóveis entram na carteira, desde que sejam adquiridos para investimento. A grande dificuldade é de atribuir um valor de mercado a eles, pois, pela sua baixa liquidez e sua exclusividade, fica difícil precificá-los. Por isso, eu divido minha carteira em Carteira Financeira e Carteira Global.


Carteira Financeira:

Nela entram apenas os ativos que podem ser precificados facilmente, tais como Ações, ETFs, FIIs, Tesouro Direto, CDBs, LCAs, LCIs, Debêntures, Ouro, Dólar, Euro, etc. Mesmo aqueles que não têm liquidez diária, pois, embora não seja possível resgatá-los de imediato, é possível precificá-los.

Carteira Global:

Aqui, além dos ativos da Carteira Financeira, coloco os imóveis que tenho para investimento. Então, se tiver imóveis para locação, terrenos, áreas rurais, etc. entram nessa carteira. Não entram aqui a casa onde moro, automóvel, barcos, nave espacial, moto, skate, prancha de surf. Embora a residência e veículos, contabilmente, sejam ativos, a maioria da galera da finansfera só considera ativo o que coloca dinheiro no bolso, de acordo com Robert Kiyosaki. Eu também concordo com isso, uma vez que o foco aqui não é apresentar um balanço auditável e, sim, buscar a IF.

Terreno coloca dinheiro no bolso?

Sim. Colocar dinheiro no bolso, não quer dizer criar um fluxo de caixa. Por isso, um terreno vai colocar dinheiro no bolso, desde que valorize ao longo do tempo. E se não valorizar? Não é impossível, mas é improvável - até hoje nunca vi isso ocorrer com quem comprou para longo prazo. Já vi pessoas que compraram sem condições e tiveram que vender às pressas. Aí perderam dinheiro, mas isso foi fruto da falta de planejamento e não do terreno (ou de qualquer outro imóvel).

Eu entendo que todo o investimento com marcação à mercado, quer seja renda variável, fixa ou imóveis tem que ter um bom planejamento que começa com a reserva de emergência. É a reserva que vai garantir que você não precise queimar um ativo, permitindo que você espere um momento melhor para vendê-lo.

Patrimônio x Ativo:

Em síntese, eu considero todos os ativos na minha Carteira Global mas não todo o patrimônio. Veículo e residência são bens patrimoniais, mas não considero ativos pois não colocam dinheiro no bolso. Assim, no meu entendimento, todo ativo é um patrimônio, mas nem todo o patrimônio é um ativo.

Hoje, um clipe onde impera a simplicidade, porém com muita qualidade - três acordes são suficientes se bem tocados. Stray Cats - Rock This Town

domingo, 30 de abril de 2017

Fechamento Abril/17 - Carteira financeira continua a encolher, mas bem pouquinho...

Buenas, galera! Depois de algumas semanas no ostracismo, mas não no ócio, esse humilde escriba volta ao teclado para o fechamento do mês de Abril/17.

Abril foi um mês de quaresma, muitos feriados e alguns não recorrentes, como IPTUs e o aniversário da minha filha que consumiram uma graninha considerável. Nas comissões, o impacto mais forte será sentido nos meses seguintes, por hora, está tudo dominado! Tive sim, uma queda de cerca de 6% nas entradas comparado a março, mas isso está dentro do normal. 

De forma geral a CARTEIRA FINANCEIRA continuou encolhendo (-0,4%), como esperado, pois estou pagando a terra. Já a CARTEIRA GLOBAL cresceu (+1,4%) - nada mal considerando que nela tenho quase 60% em imóveis.
Avaliando mês a mês as classes de investimento, optei por limar um pouco a carteira de ações esse mês, até em virtude de sua boa performance, e tive a oportunidade de comprar dólar quanto este caiu próximo a R$ 3,10.

Perdas e Ganhos 


A carteira financeira teve valorização de 1,05%. Isso supera IBOV, IFIX e CDI.

Ações tiveram a maior valorização da carteira com 4,24% - chupa IBOV (+0,64)!!! Destaque para HGTX3 com valorização de 23% no período.

FIIs valorizaram 0,95% também superando o seu benchmark, o IFIX (+0,16%), mas de forma mais comedida. O destaque foi MFII11 que valorizou 9,52%.

Outras Rendas Fixas também valorizaram bem, subindo 1,54% contra 0,79% do CDI em abril (se não estou enganado), puxado pelo recebimento de um empréstimo garantido.

Tesouro Direto foi a classe negativa do mês (-0,81%). As incertezas políticas fizeram subir as taxas dos títulos mais longos, e o título que mais afetou minha carteira foi o TD-IPCA35 (-3,14%). No entanto, com valorização de 58% em menos de dois anos, uma queda de 3,14% nesse título, não o torna um mal investimento.

Reserva Cambial fiz um bom aporte quando o dólar bateu nos R$ 3,10 e isso contribuiu para uma boa rentabilidade no período (+1,65%) contra 1,41% do dólar. Também vendi um contrato de ouro que tinha, mas quero postar isso em separado, pois foi uma pequena experiência.

Bola de Cristal


No último mês não coloquei esse quadro, até porque não tive muito tempo para escrever e não via nada muito explícito. Haviam sim, fatores de risco, mas via-os muito latentes.

  • Front Externo:

    • A semana vai começar com o mercado digerindo a notícia do PMI chinês abaixo do esperado - a saúde da economia chinesa é algo que eu vejo com bastante ceticismo. Além do PMI chinês teremos outros PMI importantes para o mercado ao longo da semana (EUA, Alemanha e Reino Unido).
    • A tensão entre EUA e Coréia do Norte não me parece com cara de que será resolvida com diálogo e sem surpresas.
    • O mercado gostou da conversa de Trump sobre a forte baixa nos impostos. Porém, ainda não ouvimos a repercussão disso na cabeça dos membros do FED. Agora, é certo de que a abiogênese não existe nem na biologia nem nas finanças. Eu espero, para o médio prazo, um aumento da inflação americana.
    • A eleição francesa coroa a semana e pode causar uma boa volatilidade. Não acredito que Le Pen consiga tirar a diferença em uma semana, mas olhando o histórico das pesquisas Macron vem caindo e Le Pen subindo - podemos ter surpresa!!!

  • Front Doméstico:

    • Projeção da Selic vem caindo, porém a curva de juros futuros subiram com as incertezas políticas e, em especial, dúvidas sobre a aprovação da reforma da previdência. Eu acho que o governo vai ter que fazer muitas concessões nessa reforma, e o mercado ainda não precificou tudo.
    • Campanha eleitoral de 2018 já começou e vai ter muita merda no ventilador. Além disso, quanto mais postergar as votações, pior fica para o governo, pois nossos "excelentíssimos" congressistas não vão querer deixar o deles na reta.
    • Protestos contra as reformas podem ganhar força e isso dificultaria para o governo Temer que, até então, tem uma relativa força no congresso.
    • Investigações estão provando que direita e esquerda é uma questão de oportunidade e não de ideologia, ou seja, são tudo farinha do mesmo saco. Para mim, nenhuma novidade!!!
    • Como visto, não ando muito otimista... espero estar enganado e que as reformas avancem sem muita descaracterização. Entretanto, acho que com o jogo político isso vai ser muito improvável.
    • Bom mesmo foi a reforma trabalhista. Espero que não sofra nenhum revés, em especial na questão da contribuição sindical. Para mim esse foi o principal ponto, pois vai diminuir em muito a arrecadação dessa turma. Nada contra os sindicatos, mas eles têm renda mesmo sem mostrar serviço.
O som de hoje, Metallica -  ...And Justice For All

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Fechamento Março/17 - a carteira encolheu!!!

Buenas, galera! Março já acabou faz dias e eu ainda não postei o fechamento do mês... antes tarde do que nunca, né?

Devido a correria em que me encontro vou ser bastante sintético nessa apresentação, então vamos aos números:

A carteira financeira encolheu 7,8% no mês de março ante fevereiro devido à retirada para o pagamento da entrada da terra. Como tenho mais cinco prestações para pagar, a expectativa para os próximos meses é de aporte nulo e, inclusive, mais retiradas.

Optei em primeiro lugar pelo resgate de CDBs de bancos médios e aplicações em renda fixa com perfis semelhantes. Em seguida, saquei alguns valores em TD-Selic para completar o valor necessário. Com esse encolhimento da RF, ações e FIIs acabaram aumentando sua fatia na carteira financeira.

Quanto à rentabilidade, o mês de março não deixou a desejar. As carteiras de Ações e Fundos Imobiliários valorizaram +0,24% e -0,80%, respectivamente. IBOV e IFIX performaram -2,52% e +0,20%.

As carteiras de Outras Rendas Fixas e Tesouro Direto tiveram as valorizações de +2,27% e +0,62%, respectivamente, enquanto o CDI valorizou 1,05% em março. Fechando o tema, a reserva cambial valorizou 0,72%

Com a mexida que fiz no mês passado, a carteira financeira mudou a configuração, diminuindo a concentração em Renda Fixa para 60,1% e elevando os pesos de Renda Variável para 35,6% e Reserva Cambial para 4,3%.

Embora tenha havido uma queda na Carteira Financeira, considerando a compra da terra, o patrimônio cresceu 3,3% em março, o que não é nada mal.

Para finalizar, peço desculpas pela ausência, inclusive não tenho nem visitado os blogs que costumo ler assiduamente, mas para terem uma ideia, agora são 23:41 e amanhã, às 05:30 já estarei dentro de uma fábrica prestando consultoria... realmente o tempo está escasso.

Um grande abraço e sucesso a todos!!!

sexta-feira, 31 de março de 2017

A carne continua fraca...

Buenas galera! Nessa altura já deveria estar preparando o post do final de mês com rentabilidade, etc., mas estive extremamente ocupado nessas duas últimas semanas e ainda estava devendo mais um post sobre a Carne é Fraca, então la vai...

Conforme eu havia comentado no post A carne é fraca, e a JBndeS, será que é forte? o papelão na carne era um papelão da fiscalização, realmente comprova-se que isso é absurdo. Colocar papelão no CMS significa entrar com caixas de papelão no setor que produz CMS, o que não é permitido. Provavelmente estava faltando bandejas plásticas para os sacos de CMS serem depositados e irem para o congelamento - a "solução" seria depositar os sacos de CMS em caixas de papelão e enviar assim para o túnel de congelamento. Caso o CMS não seja congelado logo é bem provável que seja condenado (enviado para ração animal).

O outro absurdo foi o que publicaram sobre o ácido ascórbico (vitamina C). No post eu comento que deveria ser outro produto entre eles o ácido sórbico, justamente o que o delator Daniel Gouvêa Teixeira citou em entrevista ao Fantástico. Agora, não fizeram pesquisa de formol, o que é mais grave.

Na mesma entrevista o fiscal agropecuário diz que um frigorífico usava 94% de CMS no produto. Bom, aí tem algum erro de matemática: o frigorífico estaria usando 94% de CMS, mais Fécula de Mandioca, mais Proteína de Soja, mais Sal, até 10% de água, mais condimentos, antioxidante, estabilizante... ops! passou muito dos 100%.

Na minha opinião, a legislação sobre carnes no Brasil é muito rígida e atrasada. O RIISPOA que é a Bíblia da Inspeção é de 1952 e teve uma maquiada em 2016. Por exemplo:
  • Permite-se adicionar até 3% de água em produtos frescais e até 10% em produtos cozidos. Na vida real isso é bem diferente
  • É permitido uso de amido em salsichas e apresuntado (máximo 2%), mortadelas, fiambres e embutidos cozidos (máximo 5%). Não é permitido em linguiças (inclusive calabresa cozida) e presunto
  • É permitido uso de 2,5% de proteína de soja em algumas linguiças e 4% em salsichas, mortadelas e embutidos cozidos
  • Não é permitido o uso de corante artificial em produtos cárneos
  • É permitido o uso de ácido sórbico e seus sais (sorbatos) somente na parte externa, nunca na massa
  • Não é permitido o uso de CMS em produtos frescais
Enfim, o que enumerei acima são apenas exemplos da legislação, mas que em muitos casos não são seguidos e nem fiscalizados. A fiscalização é falha e o ramo é promíscuo.

Na minha opinião, as fraudes sanitárias deveriam ser fortemente combatidas, como o uso de CMS em produtos frescais e o controle microbiológico de carnes e produtos cárneos. Pega o produto no ponto de venda e analisa - simples assim! Depois vai ter choro, porque a culpa é do mercado que não conservou, ou a culpa é da industria porque produziu sem higiene, etc. mas saúde é saúde.

Quanto as fraudes econômicas, como a adição de água, fécula, proteína fora do limite permitido, penso que a legislação deveria ser mais branda e deixar o produtor mais livre desde que informe no rótulo do produto o que está vendendo. É assim em outros países. Então, se quero vender salsicha com 10% de fécula, tudo bem, desde que esteja informado no rótulo. Aí cabe a fiscalização conferir se o informado bate com o produzido.

Vejam como a legislação atual favorece ao infrator: se o Frigorífico A produzir salsicha com 2,1% de amido, terá a mesma penalidade de um Frigorífico B que venha a produzir com 10% de amido. Então, se é para correr o risco, corre-se para ganhar bem, ou seja, o crime tem que compensar.

Isso não é de hoje, no tempo em que haviam aqueles frangos caixa d'água, que eram injetados até o máximo, se você injetasse 10% ou 60% a multa era a mesma. E, além disso, quando um frigorífico era multado, ele já tinha ganho 10x ou mais o valor da multa no frango injetado que tinha vendido. Já faz quase dez anos que não se injeta mais, o MAPA lacrou as injetoras, mas ainda tem alguns artistas que conseguem, não só em frango, mas em carne suína e bovina também. 

Se quiserem encontrar fraudes em embutidos, segue a lista:

  • Presença de corante artificial
  • Presença de amido acima do permitido e em produto que não é permitido
    • Salsicha e apresuntado (máx 2%)
    • Mortadela e fiambre (máx 5%)
    • Presunto e linguiças (qualquer tipo, inclusive calabresa cozida) não é permitido
  • Presença de ácido sórbico e seus sais em linguiças, mortadelas, salsichas, etc.
  • Presença de CMS acima do limite ou em produtos onde não é permitido - essa análise é mais difícil, pois precisaria de uma análise de DNA
Mudando de assunto (pero no mucho), hoje saíram novos laudos de produtos dos frigoríficos que haviam sido interditados. Resultado: tudo dentro dos padrões!!! Entretanto, não analisaram os parâmetros que estavam fora na primeira análise como teor de amido e presença de ácido sórbico e seus sais.

Bueno, vamos encerrando por aqui, que tenho mais algumas fórmulas para conferir... enquanto alguns choram, outros vendem lenços, né?

Clipe de hoje: Janaynna e Jorge & Mateus ¨A carne é Fraca¨


domingo, 19 de março de 2017

Pagando a conta!!!

Adios mi cerdo!
Buenas, galera! Gostei muito de escrever o post passado A carne é fraca, e a JBndeS, será que é forte?, sobre a operação Carne Fraca da PF. A repercussão foi interessante e devo voltar ao tema em breve. Entretanto, hoje retorno ao projeto da produção de eucaliptos, falando sobre a aquisição da terra. Então, quebrei o porquinho e tô raspando a guaiaca... amanhã pago a entrada referente a aquisição da terra. Sinceramente, dá dó em baixar as aplicações, vender FIIs, vender Ações... mas, como diz um filósofo amigo meu:

Quem tem medo de cagar, não come!!!


Bueno, vamos nessa, pagar a entrada e suar para honrar as cinco prestações. A negociação foi a seguinte: entrada de 45% do valor total e cinco prestações mensais de 11% cada. Isso vai representar, na teoria, um desfalque cerca de 30% da minha carteira de investimentos. Dói na alma!!! Na prática, pretendo reduzir esse impacto pois boa parte do valor vai sair dos aportes mensais que não farei... continua doendo na alma!!!

Porque parcelei? Primeiro, pois eu teria que vender muitos ativos e não estava seguro que essa seria a hora. Segundo, porque o vendedor iria descontar apenas o valor do rendimento da poupança para um eventual pagamento à vista. E, em terceiro lugar, costumo parcelar imóveis e serviços - imóveis para avaliar se não tem nenhum problema escondido embora a documentação da terra esteja toda ok; e serviços pois quero saber se o que foi feito funciona antes de pagar.

Porque não financiei em prazo maior? Conseguir financiamento para imóveis rurais não é fácil, inclusive não encontrei nenhuma modalidade direta para isso. As opções que eu teria seriam contrair empréstimo pessoal; fazer um empréstimo com garantia em imóveis/automóvel; e consórcio. Colocar a terra em garantia não passava pela minha cabeça, pois DIZEM que o crédito rural para custeio é interessante - aí por setembro devo ficar sabendo. Assim, evitei ficar com a terra alienada.
Mansão do Mutley

De todas as opções de financiamento a melhor seria via consórcio. Comprar um carta e dar o lance para contemplação, o que, na média, ficaria num CET de aproximadamente 0,9% a.m. Não é alto como um empréstimo, mas não é nada vantajoso ao meu ver - prefiro apertar agora e não dever nada.

Next steps... os próximos passos são (1) a busca de fornecedores para as mudas, e a turma para realizar o plantio; (2) providenciar as ligações de energia e água potável para a propriedade; (3) definir o projeto da "mansão" que vou construir no sítio e avaliar os custos para isso. Tenho uns cinco meses para pesquisar bem e acertar tudo - obviamente que a prioridade são as mudas e o plantio.

O contrato e o advogado!!! Já ia esquecendo... contratei um advogado para assessorar na 'negociação'. Na verdade apenas para orientar nas cláusulas do contrato de compra e venda. O custo é baixíssimo comparado ao valor do investimento, e parti do princípio de que prefiro pagar um advogado sem necessidade agora do que ter que correr atrás de um por necessidade depois.

Riscos de compra na propriedade rural: como todo o imóvel é importante verificar se há algum impedimento sobre o mesmo antes da compra. No caso dos imóveis rurais, eles podem ser reserva indígena, podem estar averbados como reserva legal (RL) para outra área ou da mesma, podem ser ou conter uma fração muito elevada de áreas de preservação permanente (APP), podem ser parques nacionais, estaduais ou municipais (na sua totalidade ou em parte), podem conter ônus diversos, estarem hipotecados, estarem em disputa judicial, fazerem parte de inventário ainda não finalizado, terem cédulas pignoratícias, etc. Então, como não é meu cotidiano, prefiro delegar essa verificação para alguém competente, no caso um corretor de imóveis e/ou um advogado.

Bom, vou encerrando por aqui para amanhã ir em busca da mascada... e, seguindo a sugestão do amigo VC1KK, vou mudar drasticamente a linha dos clipes que coloco nas postagens...


sexta-feira, 17 de março de 2017

A carne é fraca, e a JBndeS, será que é forte?

Buenas, galera! Hoje acordei com uma boa notícia: a Operação Carne Fraca da PF. Surpreso? Não, conheço bem essa turma e o que a imprensa está publicando não é novidade para mim. Sim, tem algumas coisas que talvez não seja bem assim.

Antes de continuar a falar sobre a operação de hoje, gostaria de retornar à dezembro de 2015, quando, na Universidade de Umuarama/PR, foi constatada a presença de formol em carnes da JBndeS. Obviamente a empresa negou e ficou por isso mesmo. Agora, novamente a 'santa' empresa da família Batista Sobrinho está na maracutaia. Sim, não está sozinha, a BRF também figura na bagunça, junto com algumas outras menores, mas não menos culpadas.

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/exame-laboratorial-encontra-formol-em-lote-de-carne-vendido-no-parana-cdqtai0kc7x22ck50kryx5mv6
Retornando à operação da Polícia Federal, como comentei, não me causa a menor surpresa o que li na imprensa. Já participei de diversos projetos em frigoríficos para aumentar o shelf-life de produtos. Isso não é errado? Não, bem ao contrário! Aumentar a validade de um produto melhorando o processo, usando matérias-primas, ingredientes, aditivos e coadjuvantes corretos e na quantidade segura, é louvável. Entretanto, recuperar carne estragada, maquiar um processo ineficiente, fraudar os produtos economicamente, isso é deplorável.

Agora, três situações que saíram na imprensa me parecem que não são bem assim:

Carne de cabeça em linguiça: em alguns meios de comunicação foi exposto que não se pode usar carne de cabeça em embutidos. Na verdade, a legislação permite o uso de carne de cabeça em embutidos que sejam submetidos a tratamento térmico. Exemplificando, pode-se usar carne de cabeça em linguiça calabresa cozida, mas não pode em linguiça calabresa frescal. Carne de cabeça não são os miolos, e sim as aparas da cabeça após a retirada da máscara (pele + orelhas). Na Itália e na França existe uma iguaria feita com a bochecha suína e bovina.

Ácido Ascórbico é cancerígeno: este é o absurdo dos absurdos, ácido ascórbico e vitamina C são a mesma coisa. É um poderoso antioxidante que previne o escorbuto e é associado à diminuição de radicais livres no nosso organismo, ou seja, é mais provável que combata o câncer, do que provoque.

Um grande defensor da ingestão de Vitamina C foi Linus Pauling (Nobel de Química em 1954 e Nobel da Paz em 1962). Durante quase três décadas ingeriu cerca de 18 g de vitamina C diariamente. Morreu aos 93 anos de câncer, justamente o que ele assegurava que a vitamina C prevenia. Segundo ele, a alta ingestão de ácido ascórbico retardou o aparecimento de câncer, já seus críticos dizem que essa ingestão elevada causou o câncer. De qualquer forma, com 93 anos ele já estava no lucro...

O ácido ascórbico e seus sais são aditivos que não tem limite de uso em produtos cárneos, ou seja, pode-se usar a quantidade que desejar. No entanto, em carnes "in natura", no Brasil, nenhum aditivo é permitido, nem o ácido ascórbico, muito embora, o seu uso como prevenção seria inócuo ao ser humano. Sinceramente, eu acho o termo ácido ascórbico era para encobrir o real produto químico que estavam adicionando - usam-se essas técnicas em frigorífico. O ácido ascórbico até pode recupera um pouco a cor vermelha da carne, mas não faz milagre. Já alguns outros químicos podem ser mais eficazes no mascarar a qualidade da carne como: formol, antibióticos, sulfitos, ácido sórbico e sorbato...

Papelão na Carne Moída, chamada de CMS: primeiro, carne moída e CMS são coisas bem distintas. Aqui acho que existe um mal entendido. Conheço muito bem frigoríficos, e digo que é praticamente impossível colocar papelão no CMS e em qualquer outro produto cárneo. Simplesmente porque não se consegue entrar com papelão na área de produção de qualquer frigorífico (exceto fundo de quintal).

CMS é a sigla para carne mecanicamente separada. A mais comum é a de frango e é obtida através de uma extratora de CMS que, basicamente, é um moedor de carne onde coloca-se os ossos de frango (dorso, ossos de peito e pescoço, principalmente) num bocal; uma rosca sem fim empurra esses ossos e prensa-os contra uma série de 'laminas'; a pressão gerada faz com que a carne passe entre as lâminas e os ossos sigam em frente saindo no bocal. O produto obtido é similar a uma geleia. O vídeo abaixo mostra um frigorífico bem rústico extraindo CMS. A higiene e o processo são péssimos!!!


O CMS só pode ser utilizado em produtos cozidos como Salsicha, Mortadela, Calabresa Cozida, Lanches, Empanados, e outros cozidos. Entretanto existe alguns criminosos que usam em produtos frescos como linguiças, hambúrgueres, carne moída...

Dicas para o mercado, não o de ações: eu tenho algumas manias quando escolho alimentos processados no mercado.

  • Não foco muito na data de validade, mas sim na data de fabricação. Quanto mais novo o produto, melhor
    • Olho também a qualidade do carimbo, pois ter sido adulterado
  • Não compro produtos fatiados ou porcionados pelo supermercado, pois podem re-embalar no final da validade ou já vencidos - vejam o vídeo!
    • Não é culpa do frigorífico pois o mercado recebeu o produto dentro da validade
    • Também não sei se essa prática continua na rede que aparece no vídeo, mas já fiz diversos flagrantes de produtos vencidos em diversas redes de supermercados, nacionais e multinacionais
  • Quando compro carne embalada eu furo a embalagem e avalio o aroma. Se o aroma estiver ácido ou podre não compro
    • No final de semana passado, furei quatro embalagens de peito de frango e todas com cheiro de podre. Paguei um pouco mais caro por uma outra marca que estava com aroma suave e característico
  • Embutido e queijos embalados a vácuo, eu verifico se a embalagem está firme, sem estufamento e se o produto não apresenta líquido solto na embalagem
    • Um pouco de líquido é normal
    • Se o líquido estiver esbranquiçado indica contaminação elevada - não compre!
  • Pão, molho de tomate, pasta de cebola e pasta de alho, normalmente faço em casa - melhor e mais barato!